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Por Marcia Camargo -

Quando ouvimos a palavra “luto”, é comum sentirmos um aperto no peito. A lembrança de alguém que partiu costuma surgir imediatamente em nossa mente.

Porém, muitas vezes não percebemos que o luto aparece diversas vezes ao longo da vida, em diferentes formas e situações.

Ao ouvir alguém dizer “estou de luto”, logo imaginamos a cena de um velório, pessoas reunidas, lágrimas, silêncio e saudade. Essa é a imagem mais conhecida do luto.

Nos últimos anos, especialmente durante a pandemia da Covid-19, essa palavra passou a fazer parte da realidade de muitas famílias. Vivemos perdas, despedidas inesperadas e momentos de profunda dor emocional.

Quando alguém parte, parece que o tempo desacelera. Passamos a recordar conversas, risadas, conselhos, momentos simples que antes pareciam comuns. Surge então a difícil pergunta: “Como alguém que estava aqui ontem, hoje não está mais?”

A mente humana precisa de tempo para compreender a ausência. O coração também. Aos poucos, entendemos que a presença física já não existe, mas as memórias permanecem vivas dentro de nós.

Falar sobre o luto exige delicadeza, respeito e sensibilidade. Afinal, todos nós, em algum momento da vida, iremos nos deparar com perdas, despedidas e transformações.

Na psicanálise, o luto é compreendido como um processo emocional profundo e necessário. Ele pode envolver:

  • tristeza intensa;

  • sensação de vazio;

  • dificuldade em manter a rotina;

  • afastamento emocional;

  • perda de interesse pelas atividades;

  • solidão;

  • negação da dor.

E nem sempre o luto está ligado apenas à morte de alguém. Existem diferentes formas de luto que muitas vezes passam despercebidas.

Alguns tipos de luto

Luto natural

É a dor causada pela perda de alguém amado. Aos poucos, a pessoa enlutada tenta aceitar a ausência e adaptar-se à nova realidade.

Luto complicado

Quando a dor se torna tão intensa que a pessoa deixa de viver a própria vida, permanecendo presa ao sofrimento por muito tempo.

Luto antecipatório

Acontece quando familiares enfrentam doenças graves ou prognósticos sem cura. Antes mesmo da partida, já surgem sentimentos como medo, ansiedade, tristeza e impotência.

Luto não reconhecido

Muitas vezes ocorre na perda de um animal de estimação, quando a dor não é compreendida pelos outros, apesar do vínculo afetivo profundo.

Luto ausente

Quando a pessoa aparenta não sentir nada, reprimindo inconscientemente suas emoções. Mais tarde, essa dor pode surgir em forma de irritabilidade, ansiedade ou sintomas físicos.

Luto traumático

Relacionado a perdas repentinas, como acidentes, homicídios ou suicídios. São situações que podem deixar marcas emocionais profundas.

Luto gestacional

Uma das dores mais silenciosas e delicadas. A perda de um bebê interrompe sonhos, expectativas e vínculos que já haviam sido construídos no coração da mãe e da família.

Luto coletivo

Vivenciado em situações como pandemias, guerras e tragédias naturais, quando muitas pessoas sofrem simultaneamente e nem sempre conseguem elaborar suas perdas de maneira saudável.

O luto não possui tempo exato. Cada pessoa sente, reage e atravessa a dor de uma forma única. Por isso, acolher o sofrimento sem julgamentos é essencial.

Buscar ajuda também é um ato de cuidado consigo mesmo. A psicoterapia oferece um espaço seguro para falar da dor, compreender sentimentos e encontrar apoio durante esse processo tão delicado.

Como sugestão de leitura, deixo o livro:

“A morte é um dia que vale a pena viver”
da médica paliativista Ana Claudia Quintana Arantes.

Se você está vivendo um momento de luto ou conhece alguém que esteja enfrentando essa dor, saiba que não precisa passar por isso sozinho(a). O acolhimento emocional pode fazer toda a diferença no processo de reconstrução interior.

Até a próxima!

Marcia Sigler
Psicanalista
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Arantes, Ana Cláudia Quintana A morte é um dia que vale a pena viver. Alfragide, Portugal: Oficina do livro, 2019. Editora Sextante